Apesar da ilusão de um mundo pós-colonial, ainda vivemos em uma realidade de colonizadores e colonizados, graças ao papel da globalização e da manipulação da mídia hegemônica.
Ao lado dos discursos histórico, econômico, político e geopolítico, devemos destacar o da comunicação mass-midiática, fundamental para entender o papel da informação em relação às dinâmicas globais em apoio aos projetos neocoloniais ocidentais: é necessário analisar e decodificar a linguagem (a semântica e a representação antropológica e cultural) e também a temática dos direitos humanos, utilizadas pela mídia ocidental na construção do inimigo – os países alvo de interesse estratégico/geopolítico/econômico, neste caso o mundo árabe e islâmico.
Os Estudos coloniais, neocoloniais e descoloniais, no que diz respeito aos países islâmicos do Norte e Leste da África, e do Oriente Próximo e Médio envolvidos nas dinâmicas neocoloniais ocidentais, são fundamentais para estudar, analisar e desconstruir as conjunturas geopolíticas em curso, à luz, também, da comunicação de massa, ajudando a criação de um novo modelo, de uma nova ética da comunicação e da narrativa histórica e cultural que respeite as tradições e as culturas das regiões muçulmanas e que possa apresentar uma versão correta e não manipulada dos fatos e dos desenvolvimentos histórico e geopolíticos.
Settler colonial studies/Colonialismo de assentamento.
“Colonialismo de assentamento”: uma forma de dominação diferente e num certo sentido antitética ao colonialismo clássico.
O colonialismo clássico visa a exploração dos mercados, dos recursos e da mão de obra indígena, tendo como principal objetivo o trabalho do colonizado, a exploração dos indígenas e dos recursos da colônia.
O colonialismo de assentamento tem como objetivo a eliminação dos nativos e sua substituição por comunidades exógenas portadoras de exclusiva instância de soberania. Como ferramenta são usados a limpeza étnica, o genocídio sistemático e o deslocamento dos nativos sobreviventes: trata-se das práticas de desapossamento e incorporação violenta realizadas pelos Estados Unidos, o Canadá, a Austrália, a África do Sul e Israel.
Importante é a comparação entre as práticas de espoliação e as ideologias usadas para justificá-las:
- os mitos recorrentes da terra virgem ou da “terra sem povo para um povo sem terra”
- os princípios da terra nullius (um território que não pertence a ninguém)
- os princípios do vacuum domicilium (teoria inglesa das terras indígenas que estavam vazias porque os habitantes não tinham moradias fixas e campos cercados. Era usada para justificar a aquisição de terras indígenas)
- o mito da fronteira (por exemplo, à conquista do Oeste dos Estados Unidos)
- as reivindicações de excepcionalismo histórico (país qualitativamente diferente de outras nações)
- eleição bíblica feitas pelos colonos.
Os colonizadores ocidentais, entre os quais Israel, utilizaram diferentes métodos de eliminação dos nativos e de sua cultura:
limpeza étnica, remoção da suas terras, destruição do habitat, indução de conflitos entre tribos e etnias (dividir para conquistar), esterilização forçada ou realizada mediante engano, atos violentos de provocação, sacrilégio e ultraje aos membros da tribo (para provocar deliberadamente a reação violenta dos nativos), a fim de persegui-los “com justiça e razão” e justificar a violência contra eles como “repressão de povos bárbaros e bestiais”, etc.
Os colonizadores intensificaram guerras abertas com o uso das tecnologias mais modernas, como metralhadoras, assassinatos direcionados de líderes carismáticos e de crianças nativas rapdas, etc.